sexta-feira, 5 de abril de 2013

'Queremos acabar com a dor de envelhecer'


Há alguns anos, Hugo Aguilaniu, geneticista da École Normale Supérieure de Lyon, na França, se deu conta de que seu trabalho ia além das pesquisas genéticas sobre o envelhecimento. Que não bastava avançar nos estudos para aumentar a longevidade sem encarar outra importante missão: a cura dos idosos. "Essa é a prioridade e a urgência de hoje", diz. "A pesquisa não está mais focada em estender a vida. Nosso objetivo, agora, é o de melhorar a qualidade do envelhecimento", relata o cientista.

Integrante do Programa Cátedras Francesas do Estado de São Paulo, ele passou duas semanas no Brasil para ministrar um curso sobre genética do envelhecimento na pós-graduação da USP [...]

[...] O mundo terá um bilhão de idosos dentro de dez anos. O dado, de estudo divulgado pela ONU no ano passado, é um alerta para todas as nações: é preciso correr contra o tempo e adotar medidas que assegurem, desde já, o bem-estar da população - que fica mais velha a cada dia. Segundo a organização, uma em cada nove pessoas no mundo tem 60 anos ou mais, o equivalente a 11,5% da população mundial.

No Brasil, já são 23,5 milhões de idosos (12% da população) - de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011. E a cada mostra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é comprovada a tendência de envelhecimento do País.[..] Mas o problema é que, infelizmente, "envelhecer ainda dói", diz Aguilaniu. Hoje, segundo ele, as pesquisas mostram que os idosos sofrem, em média, 15 anos por causa das chamadas doenças associadas ao envelhecimento. "Queremos acabar com esse longo período ruim pelo qual passamos na velhice."

Confira, a seguir, os melhores trechos da conversa.

O Brasil já está velho?

Hugo Aguilaniu - E cada vez mais rápido. Na França, ganhamos seis horas de expectativa de vida por dia. Um bebê que nasce hoje terá uma expectativa de vida seis horas superior ao bebê que nasceu ontem. No Brasil, essa velocidade é ainda maior, de nove horas por dia. São quatro meses e meio por ano. Isso mostra que o problema do envelhecimento da população é muito importante. A população da França já está velha. Aqui no Brasil, o problema é maior, porque a população ainda é jovem, mas vem envelhecendo muito rápido. E tem um outro fator essencial: a queda da taxa de fecundidade.

Qual é a maior dificuldade do Brasil em relação ao envelhecimento?

Hugo Aguilaniu - Este é o debate político que tem de acontecer imediatamente. São muitos os idosos que precisam de ajuda. Na França, que convive com o envelhecimento da população há um tempo, já é difícil, já não se dá conta do recado. A velhice tem um custo muito alto. Quem cuida dos idosos cobra um valor extremamente elevado. E há também os custos com hospital, medicamentos. É um impacto enorme sobre a sociedade e seu crescimento econômico.

Na sua opinião, qual é o papel do poder público?

Hugo Aguilaniu - [...] É preciso reorganizar a sociedade. E fazer com que as pessoas percebam que elas não farão o mesmo trabalho a vida toda. Passaremos a ter o trabalho para os jovens e o trabalho para os mais velhos. As empresas terão de se reorganizar. Será uma mudança global.

E o limite da ética? Até quando é possível estender a vida?

Hugo Aguilaniu - Biologicamente, acredito que ninguém possa responder a essa pergunta. Trabalho com um verme - o Caenorhabditis elegans - que tem longevidade normal de 19 dias. Mas hoje, em nosso laboratório, temos animais de quase 1 ano de idade. Se fizermos a transição para o ser humano, são 800 anos. Mas claro que não é tão simples assim. Não dá para saber se há um limite biológico, mas o ético, com certeza, existe. As pessoas querem viver muito. Todos têm a fantasia da imortalidade, de encontrar a fonte da juventude, mas é preciso pensar como sociedade, não individualmente. Imagine se todos nos tornássemos imortais? É um pensamento que pode parecer filosófico, mas é biológico também.

Será possível aumentar o tempo de reprodução da mulher?

Hugo Aguilaniu - Há pesquisas intensas nesse campo. Até agora, conseguimos aumentar a longevidade, mas o período de reprodução da mulher continuou o mesmo. Isso cria uma desigualdade a mais entre o homem e a mulher. E nós, geneticistas, costumamos dizer que, a partir do momento em que o ser humano não pode mais se reproduzir, ele está morto geneticamente.

As pesquisas já descobriram os genes para não se ter mais cabelo branco? Ou rugas?

Hugo Aguilaniu - Estamos olhando para aspectos fisiológicos, não estéticos. Mas é lógico que acabam aparecendo. Quando mexemos nos genes da longevidade, descobrimos que ficamos com um aspecto mais jovem também - mesmo que, para nós, pesquisadores, não seja um ponto fundamental.

É capaz de responder quanto tempo mais a gente vai viver?

Hugo Aguilaniu - Qualquer pessoa que garanta saber a resposta está mentindo. Não dá para saber. Muitos pesquisadores dizem que, se conseguirmos reparar todas as coisas que "quebram" - como em um carro -, não haveria limite, alcançaríamos a imortalidade. Não faço parte dessa linha de pensamento. O que acho possível é uma expectativa de vida de 120, 125 anos. Mas é mera especulação.

E você quer viver quanto?

Hugo Aguilaniu - Quero viver hoje e só. O amanhã é o amanhã. Minha filosofia é viver cada dia como se fosse o último.

Edição: João Bosco


Fonte: Jornal Estado de São Paulo / Thais Arbex / Denise Andrade

Grifo nosso

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Hospital Albert Einstein libera bicho de estimação para visitas em pacientes. Exemplo a ser seguido?


O Hospital Albert Einstein, a primeira instituição de saúde da América Latina e que figura em 35º hospital do mundo, titulo concedido pela organização americana Planetree, resolveu inovar no Brasil ao permitir que pacientes internados recebam visitas de seus bichos de estimação.

Segundo o Jornal Folha de São Paulo "após três anos de testes e preparo de equipes, o hospital liberou, sob rígido protocolo, que bichos de estimação, às vezes considerados membros da família, visitem pessoas internadas --mesmo em unidades semi-intensivas".

Dispensa-se comentários a despeito da satisfação dos pacientes sobretudo aqueles que veem no animal um companheiro de todas as horas e não raro, seu único e verdadeiro companheiro.

Estudos científicos dão conta que a relação afetuosa do animal com os humanos facilitam em muito inclusive, a socialização da criança e a afetuosidade junto aos idosos principalmente aqueles que vivem sozinhos.

O coordenador da área que implanta as medidas de humanização no Hospital Albert Einstein Paulo de Tarso Lima afirma que, "não está se falando de uma vontade de todos os pacientes" e que "também não se autoriza a presença dos bichos em qualquer lugar, de qualquer maneira".

Prossegue o médico afirmando que, “o contato com os bichos pode levar felicidade, paz e bem-estar e auxiliar a recuperação de algumas pessoas. O encontro com um cão ajuda a relaxar, a retomar a preocupação com o corpo, o que pode ficar perdido em pacientes crônicos."

Ainda segundo a reportagem, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Infectologia não se pronunciaram sobre o assunto.

Porém, em função da qualidade da saúde prestada e pela seriedade assumida com a medida, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Einstein adotou algumas medidas protocolares que devem ser seguidas como segue:

  • Somente são aceitos cachorros, gatos e pássaros de estimação;
  • É preciso autorização do médico com a devida anotação no prontuário do paciente;
  • Deverá ser apresentada a carteira de vacinação atualizada do animal;
  • Comprovante que o animal tomou banho nas últimas 24 horas;
  • O local de visita é predeterminado pela equipe de enfermagem;
  • A equipe de segurança hospitalar acompanhará a visita.
Certamente não deixa de ser uma medida encorajadora para alguns administradores de hospitais que já cogitaram essa hipótese porém, os mesmos devem se sentirem desencorajados em função da dificuldade do estudo de viabilidade, do cumprimento e implementação dessa atitude inovadora.

Comentário: João Bosco

Fonte: Folhaonline / Jairo Marques – Site Hospital Albert Einstein

Governo planeja "importar" médicos para a rede pública


Com a argumento da falta de médicos para os atendimentos ao longo desse imenso país, o ministro da Saúde Alexandre Padilha engendra de forma velada seus esforços no sentido de “abreviar e facilitar” a entrada de médicos advindos do exterior em detrimento aos dos aqui formados.

Um dos argumentos por ele utilizados de forma indireta é que “25,9% dos médicos que atendem a população americana não são formados nos EUA. A Inglaterra tem 37% dos médicos formados fora. Austrália, 22,8%. No Brasil 1,8%”.

Contesta ainda, a fala do CFM que pronuncia que não faltam profissionais médicos no país e existe sim, uma latente mal distribuição. Continuando a fala, o ministro afirmou: “Não é verdade que não faltam médicos no Brasil. Temos 1,8 médico por mil habitantes. A Argentina tem 3,2, Portugal, 3,9 e Espanha, 4."

Faz-se importante se ater ao cuidado na avaliação de número de médicos por habitante no que tange à uma nação pois, a densidade demográfica e as peculiaridade da região analisada importam em muito no resultado da pesquisa para a real necessidade da quantidade de médicos que a região realmente necessita.

Segundo dados do IBGE no senso de 2010, no Brasil, a Região Norte conta com uma densidade demográfica de 4,12 hab/km2 e a Região Sudeste 86,92 hab/km2. Brutal disparate. 

Conclui-se obviamente que em função da distribuição populacional, seriam necessários mais médicos na Região Sudeste para suprir as necessidades de demanda.

Portanto, não se pode exigir uma lógica estatística engessada quando se trata de médicos/habitantes sobretudo quando a análise comparativa se fundamenta em países cuja a densidade demográfica é mais representativa e centralizada em função inclusive, da pequena extensão territorial.

Pelo sim ou pelo não, as escolas de medicina juntamente com seus laboratórios estão sucateadas, inexiste um acesso descente à residência médica e na ponta, os consultórios dos ambulatórios dos municípios, os leitos dos nosocômios sobretudo nas UTI’s permanecem lotados com a prevalência da falta de dignidade para a população e aos profissionais que ali trabalham.

Eis a matéria:

A atuação de médicos estrangeiros e de brasileiros formados no exterior na rede pública de saúde pode ser facilitada por uma proposta em debate pelo governo federal.

Hoje, esse ingresso é feito principalmente pelo Revalida, exame tido como difícil e com alta taxa de reprovação.
A ideia é lançar editais internacionais para que os médicos trabalhem vinculados à rede pública em cidades do interior e periferias carentes de assistência, com registro provisório de dois anos.

Nesse período, o médico seria acompanhado por tutores e supervisores de instituições de ensino e teria aulas de português e sobre o SUS.

Após dois anos, se quisesse ficar no país, o profissional teria que fazer o Revalida.

Essa proposta foi apresentada, anteontem, a reitores e coordenadores de cursos de medicina de universidades federais pelos ministérios de Saúde e Educação.

O Ministério da Saúde calcula um deficit de 160 mil médicos, que será suprido apenas em 2035 se mantida a presente situação.

A expectativa é que a carência seja sanada principalmente por médicos de Portugal e Espanha, onde o índice de desemprego está alto.

"Tem gente que diz que a proposta é importar médicos sem qualidade, que vão tomar o lugar dos brasileiros. Não achei que seja isso, pareceu algo bem organizado", disse Ângela Cruz, reitora da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

As entidades médicas no Brasil têm opinião contrária e criticam duramente a ideia de flexibilizar a entrada dos diplomas internacionais.

Para o CFM (Conselho Federal de Medicina), o problema é a má distribuição de médicos. Estudo da entidade aponta que a proporção de médicos no país, na rede pública e privada, é de 2 médicos por 1.000 habitantes.

Enquanto isso, no SUS o índice é de 1,13 no país e não passa de 1,35 no Sudeste.

O governo também estuda alterar o Revalida, para que o exame tenha o mesmo grau de exigência dos cursos nacionais. Uma possibilidade é calibrar a nota de corte pelo desempenho de formandos de medicina na prova.

Comentários: João Bosco

Fonte: Folhaonline - Flávia Foreque – Johannna Nublat - IBGE

Grifo nosso

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Demora da ANS faz multas de R$ 2,7 mi contra planos de saúde caducarem


Empresas de planos de saúde escaparam de levar R$ 2,67 milhões em multas por desrespeito ao consumidor e à legislação devido a demora da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) em analisar denúncias contra elas.

Levantamento feito pela Folha com base na Lei de Acesso à Informação revela que, somente no ano passado, 23 processos abertos entre 2000 e 2005 prescreveram. Os casos já haviam sido alvo de autos de infração em primeira instância.

Pela legislação, um processo administrativo paralisado por mais de três anos caduca. Em 2012, a ANS aplicou R$ 287,4 milhões em multas na primeira instância.

Relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre agências reguladoras mostrou que, em 2011, a ANS havia aplicado R$ 18 milhões em multas e arrecadado apenas 1,3% do valor.

A ANS é responsável por fiscalizar os planos de saúde. A Folha já revelou que a agência leva até 12 anos para julgar processos. Após a publicação, o Ministério da Saúde iniciou mutirão para analisar os processos parados.

O ministro Alexandre Padilha foi convidado a falar hoje sobre a situação na ANS em duas comissões da Câmara.

IRREGULARIDADES

Entre os casos prescritos, há denúncias de consumidores contra operadoras que se recusaram a pagar despesas com internação e tratamentos, inclusive radioterapia.

Também há casos de empresas que teriam reduzido a rede de hospitais credenciados sem autorização e, ainda, operadoras que funcionam sem autorização da ANS.

Em dois processos, a agência deixou de cobrar R$ 1,8 milhão em multas a duas operadoras acusadas de funcionar sem autorização.

A agência diz que, nesses casos, a prescrição ocorreu devido à impossibilidade de se localizar as operadoras e seus representantes. A Folha apurou, entretanto, que há a opção de a multa ser aplicada, nessa situação, pelo "Diário Oficial" da União.

Segundo o TCU, os gestores da ANS podem responder administrativamente pelos processos prescritos caso seja comprovada má-fé.

A Folha apurou que a Corregedoria da ANS investiga denúncias de fiscais contra seus superiores que teriam alterado datas de processos para escapar da punição pela prescrição.

OUTRO LADO

A ANS confirmou que "quando o processo é prescrito, perde o poder de aplicar a penalidade", mas afirmou que o número de casos prescritos representou 0,2% dos processos que tramitavam na agência em 2012.

Segundo a ANS, a prescrição tem várias razões, como a não localização da operadora ou erros no processo.
Os motivos são apurados pela corregedoria da ANS a partir de ocorrência aberta a pedido das áreas em que aconteceu a prescrição.

Conforme a ANS, em 2012, foram aplicadas multas contra operadoras de planos de saúde que somam R$ 287,4 milhões, referentes a 3.083 processos com decisão em primeira instância. O valor, entretanto, pode ser alterado porque a decisão final é da diretoria colegiada, que pode até mesmo anular a multa.

Sobre a prescrição de dois processos envolvendo operadoras que funcionavam sem autorização, a ANS diz que "supõe-se" que ela paralisaram suas atividades "pois, caso contrário, ao constatar a prescrição, a ANS teria o dever de reiniciar todo o procedimento."



Fonte: Folhaonline / Andreza Matais


Venda de sibutramina caiu 70% nos últimos três anos


Publicada pela ANVISA em outubro de 2011, a Resolução RDC Nº 52/11 cujo o objeto consistia em dispor sobre a proibição do uso das substâncias anfepramona, femproporex e mazindol, seus sais e isômeros, bem como intermediários e medidas de controle da prescrição e dispensação de medicamentos que contenham a substância sibutramina, seussais e isômeros, bem como intermediários que inclusive, consta na mesma, o termo de responsabilidade do prescritor e, se for o caso, da farmácia de manipulação o que demonstra o rigor com que a ANVISA tratou a matéria.
Ressalta-se que, A RDC 52/11 veio acompanhada da alteração da RDC 25/10 que tratava da regulamentação doaperfeiçoamento do controle e fiscalização de substâncias psicotrópicas e anorexígenas ou seja, o aprofundamento das normas de prescrição e comercialização.

Porém, como toda medida que atinge a um grupo nesse caso, quase que específico, surgiram os protestos, as indignações por parte de pacientes, da comunidade científica em especial, dos psiquiatras e endocrinologistas.

Entretanto, o tempo passou e o resultado prático da medida agora vem publicada por intermédio de uma pesquisa em que afere a diminuição de 70% do consumo no últimos três anos.

Eis a matéria:

Restrições ao emagrecedor impostas pela Anvisa impulsionaram a queda. Além da maior burocracia para comprar a droga, médicos veem grande migração para remédios "off-label"

Desde a última restrição de acesso à droga, em vigor a partir de dezembro de 2011, a redução chegou a 41,5%.
Neste período, o impacto mais significativo foi justamente na virada de 2011 para 2012. De dezembro para janeiro, a venda caiu 33%, mostra relatório do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo) baseado em dados do IMS Health e feito a pedido da Folha.

O estudo considera apenas o produto industrializado -que representa mais de 50% das prescrições.

Na semana passada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou parecer da área técnica com a opinião de que a sibutramina deve permanecer no mercado segundo as regras estabelecidas no fim de 2011.

Na avaliação da agência, a nova regra deu conta de melhorar o controle do consumo Entre as medidas instituídas estão a redução da validade da receita e a necessidade da assinatura de um termo de responsabilidade.

A alteração de 2011 e uma anterior -que, em 2010, obrigou a emissão de uma prescrição numerada e controlada - coincidem com duas reduções importantes nas vendas, indica o levantamento.

Nos anos recentes, o recorde de vendas ocorreu em outubro de 2009, quando 676,3 mil caixas de sibutramina foram comercializadas. Em dezembro de 2011, diminuíram para 314,3 mil caixas. E, um ano depois, para 183,7 mil.

Em fevereiro de 2013, as vendas caíram ainda mais, chegando a 150,3 mil caixas -em janeiro e fevereiro, porém, as vendas costumam cair por férias e o carnaval.

MIGRAÇÃO

Ao divulgar o parecer sobre a sibutramina, na semana passada, Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa, afirmou que o consumo da droga ficou estável no primeiro ano sob as novas regras.

Frente ao levantamento, porém, a agência explicou que houve, de pronto, a redução no consumo da droga, seguida por uma estabilidade.

"A venda caiu. E a explicação é simples: está muito difícil comprar", diz Nelson Mussolini, do Sindusfarma.
Além de mais burocracia, especialistas citam receio dos médicos e migração para drogas "off-label" -usadas para fins distintos dos que foram oram aprovadas- para explicar a redução na venda.

"Todos os remédios com outras indicações, mas que ajudam a emagrecer, tiveram seu consumo aumentado no Brasil", alerta o médico endocrinologista Walmir Coutinho, professor da PUC Rio.

Uma reportagem da Folha, em 2012, revelou o crescimento dessas drogas emagrecedoras "alternativas".
Com a avaliação da Anvisa de manter a sibutramina no mercado, há expectativa de retomada nas vendas.

"Pelo que eu entendi, a burocracia será mantida. Mas o medo [de prescrever e usar a droga] não mais", diz Alfredo Halpern, professor de endocrinologia da USP.

Comentário: João Bosco

Fonte: Folhaonline / Johanna Nublat - ANVISA

terça-feira, 2 de abril de 2013

OAB entra no Supremo pelo fim do limite de despesas com educação no IR


É público e notório que a carga tributária de nosso país é uma das mais elevadas do mundo se equivalendo aos países da Europa em quantidade porém, a qualidade dos serviços públicos deixa em muito a desejar.

Em função disso, existem algumas “deixas” que a Receita Federal proporciona como a de abater no imposto de renda gastos com educação mas, num limite anual que não cobre em alguns casos nem o valor da mensalidade de uma escola de qualidade.

E o pior. Os profissionais liberais sobretudo médicos, odontólogos e advogados são os mais perseguidos quando da análise nas declarações de imposto de renda.

Para amenizar o sofrimento do cidadão de bem e que tem na escola um importante valor a deixar para seus filhos, a OAB ajuizou uma ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade - que vem a ser uma solicitação junto ao Supremo Tribunal Federal para analisar a constitucionalidade da Lei 9.250/95 que determina o limite de valor imposto para dedução do valor na educação ou seja, em se tratando de educação não deve haver limite determinado.

Estranho perceber que a legislação brasileira não enxerga a escola de  balett, jazz entre outras como parte integrante da educação e formação da criança em desenvolvimento e por extensão os pais que mantém seus filhos nesse tipo de escola não são agraciados nas deduções do imposto de renda o que é lamentável.

Eis a matéria pertinente:

Brasília – O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Furtado, ajuizou nesta segunda-feira (25) no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4927, requerendo liminar para suspensão imediata dos limites impostos pela lei 9.250/95 para dedução de despesas com educação no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

O pedido abrange as declarações deste exercício  (ano base 2012, cujo limite fixado é de R$ 3.091,35) que se encerram no próximo dia 30, e se estende até as declarações do exercício 2015. A proposta da OAB é de que o STF declare inconstitucional os valores fixados na lei, deixando as deduções com educação sem limites - como já acontece com os gastos declarados com saúde e pensão alimentícia, que devem ser aqueles comprovadamente realizados pelos contribuintes. A ADI ficou com a relatoria da ministra Rosa Weber.

Para o Conselho Federal da Ordem da OAB, os limites fixados pela lei 9.250 e autorizados pela Receita Federal para dedução de despesas com educação são “claramente irrealistas”, além de inconstitucionais. “É certo que não há um dever constitucional de limitar-se a dedutibilidade dos gastos com educação na base de cálculo do IRPF, restrição lias inexistente para as despesas com saúde e pensão alimentícia, para darmos apenas alguns exemplos”, sustenta a ADI ajuizada pelo presidente nacional da OAB.

A entidade considera que os tetos permitidos em vigor ferem  princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e o direito fundamental de todos à educação, entre outros. Em consequência, requer ao STF “a imediata suspensão - antes da audiência da Presidência da República e do Congresso Nacional, bem como da manifestação da AGU e da PGR (Lei nº 9.868/99, art. 10, § 3º), por decisão monocrática, ad referendum do Plenário29, ou mediante a pronta inclusão do feito em pauta – dos itens 7, 8 e 9 do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250/95”.

De acordo com a ADI ajuizada pela OAB no Supremo, a urgência da necessidade de suspensão dos limites de dedução para as despesas educacionais no IRPF está demonstrada pela violação de diversos dispositivos constitucionais, conforme cita na ação: “a comprovada incompatibilidade dos tetos de dedução ali estabelecidos com a realidade nacional, ao conceito de renda (art. 153, III), à capacidade contributiva (art. 145, § 1º), ao não-confisco tributário (art. 150, IV), ao direito à educação (arts. 6º, caput, 23, V, 205, 208, 209 e 227), que a Carta admite não ser plenamente garantido pelo Poder Público (art. 150, VI, c), à dignidade humana (art. 1º, III), à proteção da família (art. 226) e à razoabilidade (art. 5º, LIV)”.

Ao requerer a liminar para suspensão dos limites, a ação proposta pelo presidente nacional da OAB adverte que “o periculum in mora (perigo da demora de concessão da medida) radica na proximidade da data-limite para a entrega das declarações de IRPF 2012/2013 – dia 30.04.2013”.

Conclui salientando que “a concessão da cautelar antes deste marco permitirá que os contribuintes a apliquem quando da elaboração de suas declarações de rendimentos e imporá à Receita Federal do Brasil que a considere de ofício quando do processamento daquelas recebidas antes da decisão dessa Corte, tudo de forma a evitar desembolsos indevidos pelos particulares e a minorar a necessidade de devolução de valores indevidamente arrecadados pela União”. [...]

Cometário: João Bosco

Fonte: Site OAB/GO

Grifo nosso

segunda-feira, 1 de abril de 2013

CURIOSIDADE: Pediatra que usou Super Bonder em plásticas será denunciada


Não. Não é notícia de 1º de abril. Aconteceu realmente no Rio de Janeiro uma médica utilizar aquela cola instantânea e rápida denominada super bonder para sutura.

Leia a matéria:


Médica não tinha licença para procedimentos e deixou várias pacientes deformadas. Ministério Público Estadual vai acusá-la de exercício ilegal da profissão e lesão coporal. Operações eram feitas em clínica na Ilha do Governador

Rio - O Ministério Público Estadual (MP) vai denunciar pelos crimes de lesão corporal grave e exercício ilegal de profissão a médica Sheila Maria da Silva Pinto Gonzalez, que deformou 22 mulheres em procedimentos de lipoaspiração e implante de silicone nos seios. 

Apesar de não ter especialização em cirurgia plástica, ela publicava anúncios e realizava operações na sua clínica pediátrica, Prosilha Clínica Médica Infantil, na Ilha do Governador. Numa das vítimas, a acusada chegou a usar supercola instantânea (Super Bonder) para suturar corte. Há suspeita ainda de que ela utilizava estudantes de Medicina para atuar.

Marido e sócio de Sheila, Sérgio Gonzales também será denunciado pelos mesmos crimes. A investigação da polícia e do MP foram motivadas por série de reportagens que O DIA publicou em maio. 

Responsável pelo caso, o promotor Sauvei Lai, titular da 30ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos, disse ter se surpreendido com a quantidade de vítimas da médica. Ele localizou outras três mulheres que também tiveram problemas após serem operadas por Sheila, mas ainda falta ouvi-las oficialmente — subindo para 25 o número de lesadas.

“Aquilo não era clínica, mas um açougue! Fiquei surpreso com as fotos que vi dos procedimentos cirúrgicos feitos por ela. Uma vítima, mesmo dois meses após ter colocado silicone nos seios, ainda tem corte com pus saindo. É uma foto chocante”, relata o promotor. Sauvei vai solicitar à Justiça que oficie às embaixadas e à Polícia Federal para evitar que Sheila deixe o país. Ele pretende pedir a prisão da médica. 

Um dos atrativos era o preço acessível e com parcelamento. Um médico de Duque de Caxias, que indicava pacientes para Scheila, também será investigado. Se ficar comprovado que ele sabia que ela não tinha especialização em cirurgia plástica, mas somente em pediatria, o MP vai denunciá-lo na qualidade de partícipe. 
“Ainda estou com queimaduras na barriga e perdi a sensibilidade de região das costas depois que ela me operou. Lembro que a anestesia não pegou. Foi muito sofrimento. Gastei R$ 3.250, mas só consegui sustar dois cheques, de R$ 250 cada, porque paguei minha lipo antes. Agora, não tenho coragem de ir à praia”, desabafa a comerciante Giovana Zott, 32.


Médica pode continuar atendendo

Segundo o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), a pediatra Sheila pode continuar atuando em sua especialidade. A instituição abriu sindicância administrativa para investigar a conduta da profissional, mas até agora não chegou a conclusão. 

Apesar de duas delegacias — 37ª DP (Ilha) e Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública — terem inquéritos com depoimentos e fotos de 22 pacientes deformadas por Sheila, o Cremerj ainda não se decidiu sobre punição. Segundo o conselho, o procedimento para cassar registro pode levar até um ano, porque o profissional tem amplo direito a defesa.


Fonte: O Globo